Mirelle Belizário · Enfermeira Obstetra

Desenvolvimento do bebê

Assimetria das orelhas do bebê: é normal?

É muito comum que os pais percebam que as orelhas do bebê não são iguais. Na maioria dos casos, essa diferença é fisiológica e transitória, e faz parte do crescimento.

Por Mirelle Belizário · Enfermeira Obstetra · 5 min de leitura

Bebê com laço rosa usando o primeiro brinquinho

Uma orelha um pouco mais alta, um lóbulo maior que o outro, uma orelhinha mais “dobradinha”… Essas diferenças costumam aparecer justamente quando a família olha com mais atenção, por exemplo, na hora de pensar no primeiro brinquinho. A boa notícia: na grande maioria das vezes, é uma variação normal do desenvolvimento.

Por que acontece?

As orelhas são estruturas complexas, formadas por cartilagem elástica. No período neonatal, essa cartilagem ainda é maleável e muito influenciada por fatores como:

  • Posicionamento dentro do útero, nos últimos meses da gestação;
  • Compressões durante o parto;
  • Preferência de posição ao deitar, quando o bebê dorme mais de um lado só;
  • Contato com superfícies, como cadeirinha, bebê conforto e travesseiros.

Esses fatores podem gerar diferenças temporárias no formato, na posição ou na projeção das orelhas.

Como evolui com o tempo?

O desenvolvimento das orelhas acontece principalmente nos primeiros anos de vida. Sabemos que:

  • A cartilagem da orelha cresce de forma não linear, com mudanças significativas até cerca de 6 anos de idade;
  • A posição e o formato podem se modificar à medida que a criança cresce, acompanhando o crescimento do crânio e da cartilagem;
  • Na grande maioria dos casos, as assimetrias leves se tornam menos evidentes ou desaparecem espontaneamente.

Cada bebê é único e se desenvolve no seu próprio tempo. Com o crescimento, tudo se encaixa.

E na hora do primeiro brinquinho?

É aqui que a marcação anatômica faz toda a diferença. Como a maioria dos bebês tem uma orelha diferente da outra, durante a marcação eu observo cada lado com atenção, explico para a mamãe o que estou vendo e busco deixar os furos o mais parecidos possível, sempre respeitando a anatomia.

Antes de furar, tiro foto e mostro a marcação para a mamãe aprovar. Isso é muito importante, porque a orelha vai crescer e tudo vai se encaixando.

Orelha direita da bebê com a marcação feita pela anatomia
Orelha esquerda da mesma bebê, com lóbulo de tamanho diferente

As duas orelhas da mesma bebê: um lóbulo maior que o outro, marcação diferente e furo feito pela anatomia. Ficou lindo e, quando ela crescer, vai se encaixar lindinho.

Quando investigar?

Procure avaliação médica, com o pediatra ou o otorrinolaringologista, se houver:

  • Assimetria muito acentuada e que persiste após os 5 ou 6 anos;
  • Outras alterações craniofaciais;
  • Antecedentes familiares de malformações nas orelhas;
  • Dúvidas quanto à audição ou ao desenvolvimento da criança.

Importante: o diagnóstico precoce é importante nos casos raros que podem precisar de acompanhamento especializado. Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do pediatra.

Mirelle Belizário, enfermeira obstetra em Uberlândia

Escrito por

Mirelle Belizário

Enfermeira obstetra desde 2012, com trajetória em maternidades e berçários. Integra a Puro Amor Enfermeiras Obstétricas e atende em Uberlândia com consultoria em amamentação, preparação para o parto e o primeiro brinquinho.

Primeiro brinquinho com marcação anatômica

Medição com paquímetro, marcação aprovada pela mamãe e todo o cuidado de uma enfermeira, no conforto da sua casa em Uberlândia.

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